Muitas pessoas enfrentarão dores nas costas ou no pescoço em algum momento da vida. No entanto, é fundamental entender que a maioria desses quadros tem solução sem a necessidade de cirurgia.

Como neurocirurgião, minha filosofia é clara: Priorizar o Tratamento Conservador para o Máximo de Resultado, reservando a cirurgia apenas para os casos estritamente necessários e bem indicados.

Os Principais Pontos de Dor na Coluna

A dor na coluna geralmente se manifesta em duas grandes áreas, cada uma com características distintas:

  1. Dor Cervical (No Pescoço)
    • Dor Local: sensação de rigidez ou dor pulsante no pescoço, frequentemente irradiando para a base da cabeça (cefaleia tensional) ou ombros.
    • Dor Irradiada (Radiculopatia): quando há compressão de um nervo na coluna cervical, a dor pode descer pelo braço, antebraço e mão, frequentemente acompanhada de formigamento ou perda de força.
  2. Dor Lombar (Na Parte Baixa das Costas)
    • Dor Local: dor na região inferior das costas, que piora ao se movimentar ou após longos períodos sentado ou em pé.
    • Dor Irradiada (Ciática): se houver compressão do nervo ciático (geralmente por uma hérnia de disco), a dor percorre a nádega e a perna, podendo chegar até o pé.

Sinais de Alerta: Quando Procurar um Neurocirurgião Imediatamente

  • Déficit Neurológico: perda súbita e rápida de força em um braço, mão ou perna.
  • Mielopatia / Compressão da Medula: dificuldade para caminhar, perda de coordenação fina.
  • Incontinência: perda de controle da bexiga ou intestino (sinal máximo de alerta – Síndrome da Cauda Equina).
  • Dor Intolerável: piora à noite e não melhora com analgésicos fortes.

A Prioridade: O Tratamento Conservador

Em minha prática, mais de 90% dos pacientes com dor lombar ou cervical aguda são tratados com sucesso sem cirurgia.

O tratamento conservador não é “esperar a dor passar”; é uma estratégia ativa que pode incluir:

  • Fisioterapia e Reabilitação: fortalecimento do core, alongamento e reeducação postural.
  • Medicamentos: uso controlado para alívio da dor.
  • Infiltrações e Bloqueios: procedimentos guiados por imagem que aplicam medicação diretamente no foco da inflamação.

A Cirurgia: Último Recurso, Máximo de Precisão

A cirurgia só é indicada quando:

  • houver déficit neurológico significativo,
  • a dor não melhorar após 6–12 semanas de tratamento adequado,
  • existirem sinais de instabilidade ou compressão medular grave.

As técnicas modernas — microcirurgia, endoscopia e procedimentos minimamente invasivos — permitem:

  • menor tempo de internação,
  • recuperação mais rápida,
  • retorno precoce às atividades diárias.

Se você apresenta dor persistente ou sinais de alerta, não adie a avaliação. Quanto mais cedo diagnosticado e tratado, melhor o resultado — seja com tratamento conservador ou cirúrgico.